Caminhoneiros iniciam nova paralisação, mesmo com baixa adesão

Política
10
DEZ
2018

Uma manifestação de caminhoneiros, marcada para esta segunda-feira, 10, teve baixa adesão entre os profissionais da classe. Três pontos de alto de movimento de caminhões foram fechados pelos manifestantes, mas dois deles já foram liberados.

 

Os caminhoneiros fecharam dois pontos da rodovia Dutra (BR-116). Um em Pindamonhangaba, em São Paulo, e outro próximo de Volta Redonda, no Rio. Apenas o segundo segue interdito, segundo a concessionária Nova Dutra.

 

O terceiro ponto de manifestação foi a Avenida Engenheiro Augusto Barata, chamada de Reta da Alemoa, em Santos (SP). A via leva ao Porto de Santos, o maior do país e responsável pelos embarques e desembarques de um terço do comércio internacional brasileiro.

 

Segundo a Companhia Docas de São Paulo, cerca de 20 caminhões interromperam o trânsito durante a madrugada e tentaram convencer caminhoneiros que estavam entrando no porto a aderir a manifestação. No entanto, quando a Polícia Militar e a Guarda Portuária chegaram ao local, os manifestantes liberaram o acesso ao porto. Segundo a Companhia Docas, não há mais qualquer manifestação no local e o porto opera normalmente.

 

Ivair Schmidt, líder do Comando Nacional dos Transportes, os caminhoneiros estão tentando organizar uma nova paralisação geral devido à liminar concedida pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Luiz Fux, revogando multas por descumprimento à tabela do frete imposta pela Agência Nacional dos Transportes Terrestres (ANTT).

 

Essa foi uma das medidas implementadas pelo governo para acalmar os caminhoneiros em maio deste ano, quando eles pararam o país por três dias. A outra principal medida foi criar a subvenção ao diesel, barateando o principal combustível utilizado pelos caminhoneiros.

 

“Essa manifestação pode crescer ainda, por ser na Dutra. É uma rodovia que traz visibilidade ao movimento”, diz Schmidt. “Os caminhoneiros estão bravos com a decisão do Fux. Se o governo não tomar uma posição mais autoritária, isso pode ganhar proporções maiores.”

 

Na semana passada, Veja revelou que dois dias antes de o ministro Fux deferir a liminar suspendendo as multas relativas ao não cumprimento da tabela do frete, a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) publicou o resultado de um leilão de frete que ficou abaixo do mínimo da tabela.

 

No leilão, todos os 12 lotes para transporte de milho a granel ficaram abaixo do mínimo da tabela de referência, divulgada pela própria Conab. Chama a atenção o lote 11, que ficou com uma diferença de 31% em relação ao preço de referência. Para o cálculo do preço mínimo, foi utilizado como referência caminhões com cinco eixos, que suportam cargas de até 37 toneladas.

 

"Pela lei, o governo teria que multar ele mesmo. O governo descumpriu uma lei que ele criou”, reclama Schmidt. A Conab, à época, afirmou que há possibilidade de o preço de fechamento ficar inferior ao valor referencial mínimo caso os transportadores utilizem caminhões com configurações diferentes – com maior capacidade de carga.

 

Truculência

 

Caminhoneiros afirmam que a Polícia Rodoviária Federal (PRF) agiu com truculência contra os manifestantes na manifestação que paralisou o KM 276 na Dutra, perto de Volta Redonda (RJ). Eles alegam que um policial apontou uma arma e um taser (arma de choque) contra os caminhoneiros.

 

Segundo Ricardo de Paula, chefe da comunicação social da PRF, a corporação não vamos permitir que se fechem as rodovias. “Não podemos impedir ninguém de se manifestar, entretanto, existem normas e o código de trânsito que não permite que se feche as rodovias. Nossa atuação é no sentido de garantir a fluidez do tráfego até onde seja possível. Isso independe de quem seja. Para garantir a fluidez das pessoas que não querem se manifestar”, disse.

 

Fonte: MSN

Artigo postado no dia 10 de dezembro de 2018, em Política.

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