Goleiro de novo, Follmann diz: "Com uma perna, vou mais longe do que com duas"

Esporte
18
NOV
2017

Um ano após acidente, sobrevivente aceita convite do GloboEsporte.com e treina com bola pela primeira vez.

 

“Ganhei o dia, a semana, o mês. Voltar a praticar um esporte é prazeroso demais”.

 

A firmeza com as mãos continua a mesma, o reflexo em dia, mas o sorriso… O sorriso de Jakson Follmann foi diferente na manhã desta quinta-feira. Praticamente um ano após o acidente de 29 de novembro, o sobrevivente voltou a se sentir goleiro.

 

Se antes do amistoso contra o Barcelona já tinha vestido uniforme e luvas, chegou a vez de “voltar a sentir o cheiro da grama”. E com a desenvoltura e o talento que lhe são peculiares reforçou algo que a amputação da perna direita não o tirou: a capacidade.

 

Voltar a treinar e, principalmente, pisar na Arena Condá para desempenhar as funções de um atleta por si só fazem com que um filme passe pela cabeça. Follmann, por sua vez, manteve o foco, a concentração e, acima de tudo, a coragem. Não se esquivou de nenhum dos exercícios propostos pelos preparadores Rogério Maia e Marcelo Kunst pediu para que chutassem mais forte, defendeu, se jogou no chão e deixou o campo com novas perspectivas para o futuro.

 

O prazer de passar aqueles pouco mais de 30 minutos debaixo das traves vai ao encontro de valores que passaram a determinar a trajetória do sobrevivente. Nestes 12 meses, cada conquista foi tratada como uma vitória pessoal por Follmann. Mesmo as mais simples, como defender bolas.

 

Atualmente embaixador da Chapecoense, o goleiro (sem usar mais o prefixo ex) tem consciência da importância de suas atitudes também para deficientes físicos em todo o país. Mostrar capacidade onde muitos enxergam um problema:

 

"Sei da importância e do exemplo que sou para as pessoas. É a frase que eu falo e mais uma vez se encaixa nesta situação: Vejo que com uma perna eu consigo chegar mais longe do que com as duas. Em casa, ia ficar pensando se ia dar certo ou não. Vim e me senti bem para caramba. A amputação só tirou minha perna, mais nada. Faço muitas coisas, me desafio todos os dias e vejo que a complicação está na cabeça."

 

Por fim, Follmann falou da percepção que do acidente que mudou sua vida um ano depois. A felicidade desta quinta-feira, ele multiplica por 71, assim como a expectativa por Justiça.

 

"É difícil falar em aceitar, mas são coisas de Deus. Poderia ser evitado, só que não cabe a nós julgar. Queremos que a verdade apareça. O milagre que tive em minha vida eu queria para todos. Passou um ano, parece muito tempo, mas passa voando. A saudade vai ficar eternamente. O que faço hoje, quando pisei na Arena, pensei em todo mundo."

 

E todo mundo lembrará de Follmann. O sobrevivente, o embaixador e, mais do que nunca, o goleiro.

 

Fonte: G1

Artigo postado no dia 18 de novembro de 2017, em Esporte.

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